Motoristas e passageiros trocam informações via WhatsApp sobre trajeto de linha do Recife

Motoristas e passageiros trocam informações via WhatsApp sobre trajeto de linha do Recife

13/05/2018 0 Por Notícias Portal InterBuss

• Com informações do G1 Pernambuco.




Motoristas e passageiros da linha de ônibus 424 – CDU/Torrões (San Martin) se uniram através de um grupo no aplicativo WhatsApp para informar os passageiros sobre o trajeto dos coletivos, que trafegam pela Zona Oeste do Recife. Com três carros em toda a frota, a linha é alvo constante de reclamações de quem estuda, trabalha ou mora nos bairros por onde o referido ônibus passa.

Na prática, os motoristas informam quando os ônibus dessa linha saem dos terminais e, durante o trajeto, os próprios passageiros ajudam uns aos outros dizendo os locais por onde os coletivos estão passando. Ao longo do trajeto, o CDU/Torrões atende estudantes do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), na frente do qual fica localizado o terminal da linha; da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), além de universidades particulares e escolas.

A ideia de criar o grupo “CDU Torrões – A lenda” veio do motorista Roberto Medeiros, quando ainda trabalhava na linha 321 – Jardim São Paulo (Abdias de Carvalho), por causa da insegurança enfrentada pelos passageiros que pegavam os ônibus durante a noite.

“Lá tinha 14 ônibus na linha, mas eu trabalhava à noite e, antes de sair, sempre informava o pessoal, para que eles não ficassem tarde na rua, se expondo. No fim de 2017, vim para o CDU/Torrões e, quando vi a quantidade de ônibus, percebi que a necessidade era ainda maior. O grupo começou com uns 15 passageiros e hoje, tem mais de 200, com uma fila de pessoas querendo entrar”, explica Roberto.

Uma das primeiras participantes do grupo, a estudante de ciências contábeis Fernanda Accioly descobriu a ferramenta ouvindo o motorista do coletivo anunciar aos passageiros. Para ela, um dos principais problemas que motivam à utilização do grupo é a falta de opções além do CDU/Torrões para circular em alguns bairros da Zona Oeste do Recife.

A aluna conta que precisa andar mais de meio quilômetro desde a casa onde mora até o ponto de ônibus. Desde que começou a estudar na UFPE, em 2016, Fernanda diz que a incerteza dos horários do ônibus e o longo intervalo entre as viagens são constantes.

“Sofro todo dia. No primeiro período, eu ia e voltava pra faculdade nele, a cada período que passava, eu pegava menos, por causa do horário, e tinha que recorrer à minha mãe para me buscar. Perdi as contas de quantas vezes fiquei na parada esperando mais de 40 minutos. Quando não tenho carona e preciso pegar o ônibus, sempre olho o grupo. Ruim mesmo é quando realmente não tem carros por perto. Não tenho muitas opções”, lamenta Fernanda.

De acordo com o Grande Recife Consórcio, responsável pelo gerenciamento do transporte coletivo na região, a linha, que não circula nos fins de semana “por conta da baixa demanda de usuários (cerca de 700 passageiros por dia)”, há um estudo de avaliação para integração da linha com o Terminal Integrado IV Perimetral, na Avenida Caxangá, na Zona Oeste.

Além do período de espera entre as viagens, a violência foi outro motivo para a criação do grupo. A estudante de turismo Roberta Batista afirma que, mesmo embarcando no ônibus no terminal, também tem a insegurança como uma sensação constante na rotina.

Ela mora em Afogados, na Zona Oeste do Recife, estuda à noite e sente receio de ficar nas paradas de ônibus. “Pego o CDU/Torrões à noite para ir para o IFPE e voltar para casa. A parada onde espero o ônibus é bastante esquisita e mal iluminada. Eu e outras pessoas temos que ficar na esquina de um posto de gasolina esperando o ônibus aparecer no final da rua. Saber onde ele está ajuda muito”, ressalta.

A cumplicidade entre os motoristas e os passageiros foi o fator mobilizante para o êxito do grupo. Segundo Roberto, que dirigia ônibus de turismo antes de migrar para o transporte coletivo, o alto número de pessoas no grupo o faz pensar em criar outro canal para democratizar ainda mais as previsões de trajeto da linha.

“Moro em Jardim São Paulo [na Zona Oeste], também pego ônibus, e me ponho no lugar do passageiro, por isso acredito que temos que prestar um atendimento bom a todo mundo. Se alguém me trata com grosseria, relevo, porque sei do sufoco que é se sentir exposto. E os próprios passageiros já saem em minha defensiva. Sou tão amigo dos passageiros que até já arrumei uma namorada no ônibus”, brinca Roberto.

Segundo outro motorista da linha, Antônio Morais, a ideia principal do grupo é estimular a solidariedade entre os próprios passageiros, que ficam responsáveis pelas informações sobre o trajeto do ônibus no trânsito enquanto os motoristas dirigem.

“No começo do grupo, era bem difícil as pessoas interagirem, mas agora é movimentado o dia inteiro, e tudo o que fazemos é informar quando saímos. Quando estou no terminal, no descanso, procuro avisar sobre as saídas dos outros ônibus, inclusive. Mas todo mundo tem que se unir. Quando você sobe no ônibus, se disser um ‘peguei agora, em tal rua’, já faz a diferença”, diz o motorista.

Resposta da PM

Em nota, a Polícia Militar informou que a a segurança nos locais que compõem o trajeto do CDU/Torrões é feita por guarnições táticas, motopatrulheiros e pelo Grupo de Apoio Tático Itinerante (Gati), sob o comando do 12º Batalhão. A nota diz, ainda, que o policiamento nos trajetos é reforçado através da Operação Transporte Seguro, que realiza abordagens aos transportes coletivos, e por meio da Operação Octopus, que aborda motos.