Motoristas de ônibus do Rio de Janeiro reclamam de descontos de avarias que não causaram

Motoristas de ônibus do Rio de Janeiro reclamam de descontos de avarias que não causaram

18/06/2018 0 Por Notícias Portal InterBuss

• Com informações do Jornal do Brasil.




Depois de o ‘JB’ denunciar o ‘vale-filmagem’ – desconto aplicado aos motoristas de ônibus que deixam passageiros, com direito à gratuidade, entrarem pela porta traseira – , outros descontos não-justificados são apontados por rodoviários. Um motorista que trabalha na empresa Transurb há pouco mais de um ano aponta, em seu contracheque, o ‘vale-avaria’ e também o ‘vale-sinistro’.

O primeiro seria uma penalidade para destruição de alguma parte do coletivo. Já o segundo, para casos  de colisão do ônibus com outros veículos. Nenhum dos dois, afirma o condutor, aconteceram com o coletivo da linha 580 (Laranjeiras-Largo do Machado), dirigido por ele.

“Se eu não bati o ônibus nem quebrei nada, por que esses dois descontos no meu salário? Já reclamei com meu supervisor, mas não adiantou nada. Esses descontos sem explicação estão piorando a cada dia, como se já não bastasse o vale-filmagem. Não prestam conta de nada. Quando a gente reclama, escuta que é pra procurar a Justiça quando sair da empresa”, relata o condutor.

Em seu último contracheque, diante de tantos descontos inesperados, restaram apenas R$ 300 em seu salário líquido. Só de descontos dos vales avaria, filmagem e sinistro, ele perdeu R$ 813. Sem ter como pagar as contas, acabou negativado no Serviço de Proteção ao Crédito e o aluguel da casa onde vive com a família está atrasado.

“É muita falta de respeito com os funcionários. No caso do vale-filmagem, alguns estudantes forçam a porta e entram pela traseira do ônibus por não terem RioCard. Não tenho como impedí-los, porque a linha que eu faço passa por favelas como Morro dos Prazeres e Cerro Corá. Não vou colocar minha vida em risco. Gratuidades são um direito do passageiro, com ou sem Riocard”, reclama ele.

Segundo a procuradora do Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ), Fernanda Diniz, a empresa não pode descontar nenhum prejuízo, teoricamente causado pelo motorista, sem antes apurá-lo e comprová-lo.

“Já vi empresas na Baixada que, em caso de acidentes, descontavam o prejuízo automaticamente do funcionário. Sem apurar se a responsabilidade era dele. Isso está errado”, aponta.

Transurb não se manifesta – Alvo de reclamações dos rodoviários, a empresa Transurb S/A não respondeu até o fechamento desta edição.