Prefeitura de Florianópolis estuda liberar a Ponte Hercílio Luz priorizando ônibus, pedestres e ciclistas

Prefeitura de Florianópolis estuda liberar a Ponte Hercílio Luz priorizando ônibus, pedestres e ciclistas

28/01/2019 0 Por Notícias Portal InterBuss

A prefeitura de Florianópolis quer priorizar ciclistas, pedestres e o tráfego de ônibus na Ponte Hercílio Luz, quando a reforma for finalizada. A obra deve ser entregue até dezembro deste ano, afirma o governo do estado, responsável pela execução do projeto, e num primeiro momento, não deverá ser permitida a passagem de carros.

Atualmente, 150 mil carros passam pelas outras pontes, Pedro Ivo e Colombo Salles, que ligam a Ilha de Santa Catarina ao Continente. O valor total da obra já passa dos R$ 311.839.398,87.

“A inserção do automóvel individual desejada por muitos se demonstrará desastrosa num curto prazo, em que traremos mais carros para uma região que hoje não tem problema, e as simulações indicam que em menos de três meses, a ponte ficaria parada”, disse Michel Mittmann, diretor do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF).

A prefeitura diz que a proposta atende a uma das diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que prevê priorizar o transporte coletivo sobre o individual motorizado. Segundo a prefeitura, a média de ocupação na capital é de pouco mais de uma pessoa para cada carro (1,29). Já os ônibus circulam com uma média de pouco mais de 32 pessoas (32,24).

Se cada coletivo ganhasse mais oito passageiros, a prefeitura calcula que a ponte poderia absorver parte do trânsito da Ilha à região continental, mas de outro jeito. O projeto concluiu que apenas quatro ônibus seriam suficientes para transportar a quantidade de pessoas de uma ponte inteira lotada de carros.

A prefeitura tenta reverter um quadro preocupante em termos de mobilidade urbana. De 2012 a 2016, a população da capital aumentou 10%. Mas o número de usuários do transporte coletivo não acompanhou esse crescimento: a quantidade de passageiros nesse período só aumentou 1%. São mais de 40 mil pessoas que poderiam estar usando ônibus, segundo a prefeitura.

Mas para estimular mais gente a usar os ônibus, a prefeitura terá que fazer mudanças. “Provavelmente 16 linhas que estão sendo estudadas junto com a Secretaria de Mobilidade que serão transferidas para a ponte. E aí uma sequência gradativa de implementação de serviços voltados ao transporte coletivo dentro da ponte. Só para se ter uma ideia, essas 16 linhas carregam em torno de 40 mil pessoas. Quarenta mil pessoas correspondem a mais ou menos 20% do volume de pessoas transportadas em automóvel nas outras duas pontes”, disse Mittmann.

Contrários à proposta

O chamado ciclo do transporte coletivo deve durar até um ano meio. Depois disso, a prefeitura estudar liberar para uso de carros compartilhados, ocupados por mais pessoas. Mas tem quem ache que a ideia precisa ser mais discutida.

“Mais de 30 anos de espera por uma estrutura que pode desafogar muito o nosso trânsito. Claro que dependemos de outras grandes obras, mas a expectativa realmente é essa, que a gente tenha essa obra devolvida à sociedade para o fluxo total para todos os tipos de veículos”, disse Marcos Antonio Cardozo de Souza, vice-presidente regional da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina.

Para o coordenador do Conselho Metropolitano para o Desenvolvimento da Grande Florianópolis, a ponte pode ficar subutilizada se os carros forem excluídos. “A ideia de colocar só para ônibus não vai se coadunar muito com a realidade da cidade, porque a ponte vai ficar vazia. Os transportes do governo, como ambulância, como segurança, outras coisas mais urgentes, vão continuar passando, mas vai ser um tráfego ínfimo”, disse Roberto Oliveira.

Ponte e reforma

A Ponte Hercílio Luz demorou um ano e meio para ser construída e foi inaugurada, com liberação para o trânsito, em 13 de maio de 1926. A estrutura tem 821 metros, formada pelos viadutos de acesso do Continente, com 222,5 metros, e da Ilha de Santa Catarina, com 259 metros, e pelo vão central pênsil com extensão de 339,5 metros.

A altura das torres principais é de 74,21 metros e a altura do vão pênsil em relação ao nível de maré média é de 30,86 metros. A estrutura de aço tem peso aproximado de 5 mil toneladas.

A ponte foi interditada em 1991 por má conservação e, nos anos seguintes, passou por manutenção. O primeiro contrato de recuperação foi assinado em 2006 e, desde então, outras empresas assumiram e abandonaram a obra. Em abril de 2015, a reforma voltou a ser colocada em prática.

As informações são do G1.