Empresas interessadas na licitação do transporte de São Paulo têm dívidas milionárias

Empresas interessadas na licitação do transporte de São Paulo têm dívidas milionárias

21/02/2019 0 Por Notícias Portal InterBuss

As empresas interessadas na licitação para concessão de ônibus em São Paulo – um contrato que deverá superar a marca de R$ 71,14 bilhões – devem, juntas, cerca de R$ 344 milhões à União. Algumas delas já prestam serviço na capital, sendo criticadas pelos problemas nos ônibus e no transporte público.

Das 22 empresas que apresentaram proposta na licitação, cinco estão devendo para Fazenda Nacional, em dívidas tributárias e previdenciárias:

  • Norte Buss Transportes deve R$ 178 milhões;
  • Via Metrópole Paulista deve R$ 123 milhões;
  • Express deve R$ 38 milhões;
  • Imperial deve R$ 4 milhões;
  • Transunião deve R$ 85 mil.

A Metrópole Paulista apresentou propostas em três categorias, sendo que duas são para operar grandes corredores.

Apesar da dívida milionária, a empresa é nova no papel – foi criada um mês antes da republicação do edital, em novembro de 2018, mas já é bastante conhecida no sistema, por ser dos mesmos donos da Viação VIP, responsável por linhas de transporte na cidade atualmente.

No cadastro da Viação Metrópole Paulista na Junta Comercial, é possível obter maiores informações sobre a empresa, que fica com sede na Ragueb Chofi, na Zona Leste de São Paulo. Mas, no local, funciona uma garagem da VIP (Viação Itaim Paulista), que é uma das empresas que já operam linhas municipais de ônibus. Segundo usuários, os veículos da empresa quebram com frequência e, em alguns lugares, não há banco ou os bancos estão quebrados.

A Vip tem 7 garagens: 4 na Zona Leste; 2 na Zona Sul e outra no Centro, e uma frota de mais de 1.200 veículos. Segundo um funcionário, que pediu para não ser identificado, os veículos apresentam problemas, como tacógrafo quebrado, não informando corretamente a velocidade, freio desregulado, dentre outros.

Três donos da Metrópole Paulista são sócios da VIP. Um deles é Carlos de Abreu – empresário bastante conhecido do setor. Ele diz que a mudança de novo para participar da licitação foi orientação dos advogados e que não há irregularidade.

A reportagem procurou as outras empresas que participam da licitação e são devedoras do Fisco. A Norte Buss disse que foi incluída indevidamente na lista e que está atuando para reverter a situação.

Já a Secretaria de Mobilidade e Transportes informou que leva em consideração todas as informações para verificar a viabilidade de participação das empresas no certame e que ainda irá avaliar as propostas oferecidas.

Histórico

Os editais das licitações do transporte público foram relançados pela Prefeitura em dezembro de 2018. Na ocasião em que os editais foram lançados pela primeira vez, em 24 de abril deste ano, o valor dos contratos era de R$ 68,1 bilhões.

A licitação foi retomada após ajustes no edital que foram determinados pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). Em junho, o TCM apontou 51 irregularidades, 20 improbidades e 19 correções. O órgão que fiscaliza o executivo municipal liberou a licitação em 24 de outubro.

O edital previa que, após a assinatura dos contratos, a empresa vencedora terá o prazo de até 120 dias para iniciar as operações.

Para o início da operação, a concessionária deverá dispor de garagem própria para abrigo, abastecimento e manutenção da frota operacional. A empresa que tiver garagem no próprio lote de atuação terá vantagem na concessão da área.

Também será exigido que a empresa tenha o mínimo de 25% da frota com ar-condicionado, acessibilidade e vidro colado (que permite melhor isolamento térmico e acústico). Assim que os veículos antigos foram substituídos por causa da idade de circulação ou qualquer outro motivo, o ônibus deve ser trocado por um que tenha ar-condicionado.

As informações são do G1.