Rio de Janeiro tem uma reclamação sobre o transporte urbano a cada meia hora

Rio de Janeiro tem uma reclamação sobre o transporte urbano a cada meia hora

18/02/2019 0 Por Notícias Portal InterBuss

Em 29 de janeiro deste ano, data do aumento das passagens de ônibus na cidade do Rio para R$ 4,05, o prefeito Marcelo Crivella rebateu as críticas ao transporte público alegando que uma pesquisa de 2017, encomendada pela prefeitura, mostrava que os passageiros estavam satisfeitos. No entanto, dados da própria Ouvidoria da Prefeitura do Rio — obtidos com exclusividade pelo EXTRA via Lei de Acesso à Informação — mostram um cenário bem diferente do desenhado por Crivella. Em 2018, os cariocas registraram, em média, uma reclamação sobre o serviço a cada 30 minutos.

Foram 18.475 denúncias, um aumento de 28% na comparação com o ano anterior. No caso de alguns problemas, como a má conservação dos ônibus e a falta de veículos nas linhas, o número de reclamações enviado à Ouvidoria quase dobrou.

As denúncias dos usuários são enquadradas pela Ouvidoria dentro do Decreto nº 36.343, de 2012. As cinco maiores reclamações, segundo dados agrupados pela Ouvidoria são: má conservação da frota (4.616 ao todo, o equivalente a uma denúncia sobre o assunto a cada duas horas), falta de veículos (4.105), o motorista não parar no ponto (2.628), comportamento indevido do motorista (2.008) e retirada de linha (1.304). Essa última foi a denúncia que mais cresceu na comparação com 2017: 172%.

Queixas de má conservação da frota aumentaram quase 84% e as de falta de ônibus na linha subiram de 74%. Nos números enviados pela Ouvidoria da prefeitura, também há pedidos dos passageiros, como a criação de novas linhas, cujas solicitações dobraram (de 196 para 392) entre 2017 e 2018.

Ônibus com assento quebrado
Ônibus com assento quebrado Foto: Fabiano Rocha / 10.08.2018 / Extra

Dos itens com média de mais de uma reclamação por dia, apenas dois tiveram queda entre 2017 e 2018: estacionamento indevido de ônibus, que passou de 520 para 436 registros (diminuição de 16,2%), e excesso de velocidade e direção perigosa, que foram de 597 para 401 (redução de 32,8%).

Calor, uma queixa recorrente

Dentro da lista das 10 linhas e serviços com maior número de reclamações, dois BRTs ocupam as duas primeiras posições: o Transolímpico e o Transcarioca, com 511 e 449 denúncias, respectivamente. Na terceira colocação, está a linha 422, que recebeu quase uma notificação por dia (347).

O gestor ambiental Gabriel Oliveira, de 24 anos, é usuário dessa linha. Ele relata que, em mais ou menos metade das vezes que andou no 422, o ar-condicionado não funcionava:

— Fica muito calor no ônibus porque as janelas não abrem, além de chover por causa das goteiras do ar-condicionado. Se não bastasse, os motoristas são malucos. Eles correm muito. Uma vez, entraram na contramão e arranharam uns cinco carros que estavam estacionados. Fora quando passam no quebra-molas, que o ônibus dá uns dois pulos e você quase voa.

De acordo com os usuários do 422 que prestaram reclamação à Ouvidoria, o não funcionamento do ar-condicionado é, de fato, o maior problema, com 110 reclamações.

Atraso de coletivos

A demora do ônibus 342 (Jardim América-Castelo) já fez a diarista Cristiane de Souza, de 42 anos, se atrasar para buscar as filhas diversas vezes e até perder uma audiência:

— Minhas crianças ficam preocupadas, tendo que esperar, porque esse é o único ônibus que posso pegar para lá. Ainda teve uma vez que o veículo enguiçou, nós (os passageiros) tivemos que sair e esperar outro por 40 minutos.

A doméstica Tânia Regina, de 52 anos, também usa a linha 342 diariamente. Ela é outra a reclamar do tempo de espera pelo ônibus:

— É um absurdo! A gente fica mofando aqui. Além de o ônibus ser muito sujo e não ter ar-condicionado.

A doméstica Adriana Aparecido, de 43 anos, reclama que os motoristas das linhas 471, 472 e 473 não param em determinado ponto, onde sempre há estudantes de uma escola municipal. O relato que é confirmado pela aluna Graziela Nascimento, de 18 anos:

— Uma vez deixaram uma idosa no ponto seguinte para não ter que parar ali. A senhora teve que andar um pedação por causa disso.

Resposta

O prefeito do Rio de Janeiro foi procurado paraa comentar os dados por meio de sua assessoria, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem. Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes disse que, em 2018, aplicou 11.404 multas — em média, uma por hora — aos consórcios responsáveis pela operação do serviço. Também informou: “É com base nas reclamações registradas na Central 1746 que a Secretaria Municipal de Transportes realiza fiscalização permanente no sistema, a fim de verificar os serviços ofertados à população”.

O Rio Ônibus, sindicato das empresas de ônibus do Rio, disse que, mesmo com as dificuldades econômicas do Rio de Janeiro que resultaram em 14 empresas fechadas, entregou centenas de novos ônibus com ar-condicionado nos últimos meses. Em nota, informou que “o Rio Ônibus e as empresas estão empenhando todos os esforços para resgatar o sistema de transporte por ônibus na cidade”.

Para fazer alguma reclamação sobre o serviço dos ônibus, o telefone da Ouvidoria da prefeitura é o 1746. As denúncias também podem ser feitas pelo site: www.1746.rio/app/ouvidoria.

As informações são do jornal Extra.