Jovem leva soco dentro de ônibus urbano de São Paulo e reclama da falta de reação dos demais passageiros

Jovem leva soco dentro de ônibus urbano de São Paulo e reclama da falta de reação dos demais passageiros

05/03/2019 0 Por Notícias Portal InterBuss

Luiz Otávio Crisóstomo, de 20 anos, sofreu um ataque homofóbico enquanto estava em um ônibus, a caminho do estágio, na zona oeste de São Paulo. Na quarta-feira, 27, o estudante de jornalismo estava conversando com uma amiga no último banco do veículo, quando foi golpeado duas vezes: um soco na cabeça e outro no olho. As agressões vieram por parte de um outro passageiro, que aparentava ter cerca de 30 anos, segundo contou o estudante ao portal Universa.

“Minha amiga notou que ele jogou a mochila na nossa frente e ficou parado. Por um segundo, ela pensou que ele fosse nos assaltar. Eu nem tive tempo de perceber porque, na mesma hora, senti o soco na minha cabeça. Atingiu o meu nariz”, disse.

As agressões teriam acontecido por volta das 12h30 e foram acompanhadas por ofensas proferidas aos gritos pelo agressor. Segundo Luiz, o homem começou a dizer que “os gays são responsáveis pela Aids” e que Luiz teria transmitido a doença para ele.  “Nunca vi aquele homem na minha vida. Mas, mesmo que tivesse visto, nada justifica essa agressão”, disse a vítima.

Ainda de acordo com o estudante, após cerca de cinco minutos de confusão, o ônibus parou em um ponto da Avenida Paulista e algumas pessoas desceram do veículo. Luiz, porém, foi impedido de sair do ônibus pelo agressor, que bloqueava sua passagem. Nem motorista, nem cobrador, nem passageiros tiveram qualquer tipo de reação.

Luiz, que é carioca e vive em São Paulo há dois anos, assumiu a orientação sexual aos 14 e relata nunca ter vivido uma situação como essa. “Eu lia as notícias sobre homofobia nos jornais e pensava como agiria se um dia acontecesse comigo. Mas na hora fiquei sem reação, não consegui fazer nada”.  Ele conta que está se recuperando mas não consegue mais andar na rua com tranquilidade. “Não me sinto mais seguro. Estou muito mais alerta, especialmente à noite e em semana de Carnaval. Também vou ficar um tempo sem pegar aquela linha [de ônibus] e andando mais de metrô”.

Apesar da situação absurda, o estudante conta que o mais chocante foi a falta de reação das pessoas ao redor.  “O ônibus estava cheio e as pessoas não fizeram absolutamente nada. Continuaram com seus fones de ouvido, agindo com a maior naturalidade. Um menino mais à frente tentou filmar, mas foi intimidado pelo homem e guardou o aparelho. Ele foi o único que pareceu se espantar com aquilo”.

A confusão acabou quando o homem desceu do ônibus, próximo ao Hospital das Clínicas. Um passageiro sentado ao lado de Luiz ainda teria perguntado se ele realmente não tinha feito nada ao agressor. “Como se a culpa fosse minha”, desabafou.

Nas redes sociais, o estudante questionou a SPTrans sobre a falta de intervenção do motorista do veículo.  Procurada, a SPTrans afirmou à Universa que repudia todo ato de discriminação, agressão, homofobia, racismo ou assédio sexual no transporte público.

“A SPTrans deu início a uma investigação junto à empresa operadora para verificar todos os fatos relatados pela vítima e apurar a conduta dos operadores. Caso fique constatada irregularidade na conduta do operador, a viação deverá tomar medidas disciplinares contra o funcionário. A SPTrans também determinou a revisão nos procedimentos de treinamento dos motoristas e cobradores para que episódios como esse não voltem a ocorrer. Nos treinamentos periódicos, a SPTrans orienta os operadores que, ao tomar ciência de um ato de agressão, homofobia, racismo e assédio sexual, para seguir com o veículo à delegacia mais próxima ou solicitar o apoio policial e comunicar o Centro de Operações da SPTrans e da empresa”

As informações são do Yahoo Notícias.