Volkswagen quer abocanhar a fatia da Ford no mercado de caminhões

Volkswagen quer abocanhar a fatia da Ford no mercado de caminhões

07/03/2019 0 Por Notícias Portal InterBuss

A Volkswagen Caminhões e Ônibus espera receber um impulso com a decisão da Ford de abandonar o mercado de caminhões na América Latina ao mesmo tempo em que não vislumbra ingressar em uma guerra de preços para capturar clientes que ficarão órfãos da rival, afirmou o presidente da companhia, Roberto Cortes, nesta quinta-feira.

Na avaliação do executivo, a posição da Volkswagen Caminhões e Ônibus na captura de clientes da Ford no Brasil e no restante da América Latina é favorável diante da semelhança das linhas de produtos das duas montadoras, algo que inclui também fornecedores de componentes comuns entre ambas.

“Temos condição de absorver todo o volume de produção (de caminhões) da Ford hoje”, disse Cortes, em entrevista por telefone. O executivo está em Berlim, onde participa de encontro com o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que viajou ao país para atrair investimentos para o Estado.

Segundo Cortes, na reunião a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que tem uma fábrica na cidade fluminense de Resende, reafirmou plano de investimento de 1,5 bilhão de reais até 2021 no Brasil.

A unidade da Volkswagen Caminhões e Ônibus em Resende está com cerca de 60 por cento de capacidade produtiva ociosa e o executivo comentou que a desistência da Ford do mercado latino-americano de veículos pesados dará à companhia de origem alemã “condição de ter bom volume incremental” de produção. Ele evitou fazer projeções precisas.

No ano passado, a Ford teve vendas no Brasil, maior mercado latino-americano de veículos pesados, de 9.314 caminhões, segundo dados da associação de montadoras, Anfavea. Enquanto isso, a Volkswagen teve licenciamentos de 20.242 unidades e a rival Mercedes-Benz 21.153.

Cortes comentou que, incluindo exportações, as vendas da Ford no Brasil corresponderam a cerca de 10 a 15 por cento da capacidade da Volkswagen Caminhões e Ônibus em Resende.

“Não descarto que revendedores estejam tomando ações no sentido de conquistar os clientes Ford. Uma delas é dizer que são bem vindos, outra forma é assegurando o preço do caminhão usado. É muito cedo para a gente falar (em projeções de vendas), mas é óbvio que se quer conquistar cliente não se pode ficar só no discurso, mas isso é mais trabalho dos concessionários”, disse Cortes.

Questionado se a Volkswagen Caminhões e Ônibus pode comprometer margens para conquistar os clientes da Ford ante rivais como a Mercedes-Benz, Cortes afirmou que sua companhia não vai “entrar em guerra de preços. Não vai ser esse ano que vamos entrar. Com essa recuperação econômica é hora de restabelecer níveis de preços que prevaleciam antes dos anos de crise”.

“A Ford tinha política de preço baixo. Isso (desistência da Ford) pode até favorecer o ambiente de preços”, acrescentou Cortes.

Nesta quinta-feira, funcionários da Ford em São Bernardo do Campo promoveram passeata e manifestações contra o fechamento da fábrica, prevista para até o final deste ano.

Cortes afirmou que a Volkswagen Caminhões e Ônibus não tem interesse na fábrica paulista justamente pela ociosidade que já possui em Resende. Ele, porém, comentou que fornecedores de peças em São Paulo para a Ford, como a fabricante de motores Cummins, que monta produtos em Guarulhos (SP), também fornecem para o grupo alemão em Resende.

“Antes de Resende, a gente fazia caminhões na fábrica da Ford. A similaridade (de produtos) é muito grande”, disse Cortes.

Questionado sobre o mercado brasileiro, o executivo avalia que os dados de vendas de caminhões no primeiro bimestre indicam que a “recuperação veio para ficar”. Em janeiro e fevereiro, as vendas de caminhões novos no Brasil subiram 58 por cento sobre um fraco desempenho de um ano antes, para 13.748 veículos.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

As informações são do jornal Extra.