Pacientes reclamam de novo ônibus adquirido pela prefeitura de Pirassununga/SP

Pacientes reclamam de novo ônibus adquirido pela prefeitura de Pirassununga/SP

17/07/2019 0 Por Notícias Portal InterBuss

O novo ônibus oferecido pela Prefeitura de Pirassununga (SP) para transportar pacientes, que viajam até 200 km para passar por atendimento médico nos hospitais de Campinas e Sorocaba, tem causado transtornos aos usuários.

Em relatos ao G1, eles afirmam que o veículo não tem estrutura para transportar as pessoas mais debilitadas e não oferece o mínimo de conforto para quem passa por cirurgias, procedimentos, tratamento contra o câncer e até transplante.

Em nota, a prefeitura informou nesta quinta-feira (17) que o ônibus “atende as condições dos pacientes na viagem, pois estes não possuem restrição quanto ao tipo de veículo para transporte” (Veja o posicionamento completo abaixo).

Sem condições

A dona de casa Mara Bueno acompanha o marido pelo menos uma vez por semana para o tratamento contra o câncer, em Campinas.

O autônomo Antônio Bueno tem um nódulo no pescoço e teve uma sessão de quimioterapia no dia 28 de junho, quando usou o novo ônibus da prefeitura pela primeira vez.

Segundo o casal, o ônibus tem a estrutura de um veículo que circula dentro da cidade e, por ser leve, balança demais, impossibilitando o descanso do paciente. Mara disse ainda que o ônibus não tem cortinas para evitar que o sol entre pelas janelas.

“Naquele dia eu precisei voltar de ônibus de linha, paguei passagem para nós dois, porque não tinha condição de deixar ele passar mais uma vez por essa situação. Bate muito sol e ele não pode ficar tomando sol, é ordem médica”, disse.

De acordo com Mara, o ônibus também não tem banheiro caso os pacientes passem mal, principalmente depois de sessões de quimioterapia.

Alternativas

Ônibus usado para levar pacientes de Pirassununga em viagens de até 200 km gera reclamações — Foto: Arquivo pessoal

Ônibus usado para levar pacientes de Pirassununga em viagens de até 200 km gera reclamações — Foto: Arquivo pessoal

Nas próximas três vezes em que o casal foi a Campinas, Mara resolveu pagar a viagem com o próprio dinheiro e contratou um amigo da família para levá-los de carro. Entre combustível, pedágio e almoço, cada viagem ficou em torno de R$ 150.

“Eu cheguei a fazer rifa para poder custear as viagens do meu marido para lá, porque a gente não tem condição de ficar bancando a viagem e do jeito que está não dá”, contou.

A família já procurou a prefeitura para pedir respostas sobre as condições dos ônibus, mas foi informada pelos servidores que existem os dois ônibus disponíveis são novos.

Um dos funcionários chegou a abrir uma solicitação para o Fundo Social de Solidariedade da cidade, mas foi informado que outros veículos não poderiam ser usados pela Secretaria de Saúde.

Atraso

Segundo Mara, o mesmo ônibus que vai para Campinas também passa por Sorocaba para deixar os pacientes que são atendidos na cidade. Algumas vezes, a viagem começa às 4h da manhã, passa por Campinas para deixar os primeiros pacientes e segue até Sorocaba.

O aposentado Marcelo Marcos Ferrari passa por atendimento em Sorocaba para transplante dos olhos, depois que sofreu queimaduras no rosto.

“Esse ônibus não foi feito para sair da cidade. Ele não da comodidade nenhuma e não oferece suporte para nenhum paciente que sai da cidade para fazer uma endoscopia, um transplante ou microcirurgia”, disse.

De acordo com Ferrari, a médica que o atende escreveu uma carta pedindo mais atenção para as suas viagens, porque o aposentado chegou atrasado para um procedimento depois da troca dos ônibus.

Dois destinos

Ônibus usado para levar pacientes de Pirassununga em viagens de até 200 km gera reclamações — Foto: Arquivo pessoal

Ônibus usado para levar pacientes de Pirassununga em viagens de até 200 km gera reclamações — Foto: Arquivo pessoal

A aposentada Maria das Graças do Nascimento é uma das pacientes que passa por atendimento na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para tratamento na urologia contra um mioma.

Outro problema encontrado é sobre a espera dos pacientes até que o ônibus volte de Sorocaba e passe por Campinas para retornar a Pirassununga. Segundo ela, só existe uma condução funcionando para esse trajeto.

“Os ônibus são para crianças de escola, são pequenos, não são nada confortáveis. A gente não está indo para passear, a gente está indo para passar em médico, estamos cansados na hora de voltar. É um absurdo a gente esperar até a noite”, disse.

“O que a gente está pedindo não é grande coisa, é o mínimo de conforto e duas conduções para ir, uma para cada cidade”, disse.

Atendimento

A prefeitura informou que o atual veículo utilizado nessa linha é do ano de 2019, enquanto o antigo é de 2009, e “atende às necessidades do município para realizar viagens, pois conta com elevador para cadeirantes, TV, cinto de segurança em todos os bancos e não possui restrição para circular em rodovias”.

Disse ainda que para os pacientes que necessitam de um transporte diferenciado, através da recomendação médica comprovada por documento, o município disponibiliza veículo tipo ambulância maca ou tipo passeio.

Sobre o ônibus levar pacientes a duas cidades, a prefeitura informou que apenas quatro pessoas precisam ir até Sorocaba uma vez por semana para tratamento de oftalmologia, sendo necessário aproveitar o mesmo veículo e, assim, conseguir atender pacientes de outras localidades que necessitam de transporte diário e que possuem restrição por recomendação médica.

Já sobre o atraso no tempo da viagem após a troca dos ônibus, a prefeitura negou que tenha acontecido e disse que mantém os mesmos horários até que o último paciente receba atendimento.

As informações são do G1.