Como é a viagem de ônibus rodoviário entre São Paulo e Lima, no Peru

Como é a viagem de ônibus rodoviário entre São Paulo e Lima, no Peru

13/11/2019 0 Por Notícias Portal InterBuss

O frisson da final da Copa Libertadores entre Flamengo e River Plate pode durar muito além de 90 minutos de partida para os torcedores que decidirem chegar ao Monumental de Lima por terra. De ônibus entre o Rio e a capital peruana, só a ida durará no mínimo cinco dias, por aproximadamente seis mil quilômetros de alguns perrengues, cenas de uma dura realidade latino-americana, mas também paisagens de tirar o fôlego (quase que literalmente nas alturas da Cordilheira dos Andes). Veja o que esperar dessa aventura a caminho da disputa pelo título.

Passagem da empresa Ormeño

Valor: R$ 1.950 (ida e volta)

Ida: 16/11, às 7h (saída da Rodoviária Novo Rio)

Volta: 24/11, às 18h

Tapete e buraqueira

Se a rota seguir o itinerário da única linha de ônibus entre Rio e Lima, os contrastes começam nas estradas, que depois do trecho fluminense, cruzarão São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Acre e seis departamentos peruanos. Até o interior paulista, o cochilo tranquilo para iniciar a jornada está garantido, por rodovias em bom estado de conservação. Característica que não se repete em rodovias de mão dupla de Rondônia e do Acre.

Pela região do Xapuri, terra de Chico Mendes, o lado brasileiro da Rodovia Interoceânica, estrada binacional que liga o Brasil ao Pacífico, é um desafio para motoristas e passageiros. Com buracos em sequência, o sacolejo é inevitável. E a velocidade, fatalmente, será mais baixa.

Ao atravessar a fronteira e adentrar a selva peruana, as condições do asfalto melhoram. Já na hora de encarar a subida e a descida dos Andes, alcançando até 4.700 metros acima do nível do mar, as curvas parecem não ter fim. A combinação de altitude e estrada sinuosa pode provocar enjoo, que os peruanos chamam de soroche. Receitas dos habitantes locais ajudam a amenizar o mal-estar. Se não funcionar, o deserto da região de Nazca e Ica surgirá como um oásis, plano e com retas intermináveis, antes de se aproximar de Lima.

Da floresta ao deserto

Vista da janela, a paisagem mudará tantas vezes que poderá parecer uma viagem a diferentes planetas. A Amazônia e o Deserto de Huacachina, o Saara do Peru, são os extremos. Mas não são as únicas belezas ímpares no caminho. O Cerrado do Centro-Oeste acompanhará boa parte da viagem. No Mato Grosso, primeiro se atravessará as bordas da Chapada dos Guimarães, depois os caminhos levarão à região de Cáceres, um dos portais do Alto Pantanal — duas atrações que, se a viagem for de carro, valem o desvio.

A nota triste fica por conta das extensas áreas desmatadas da Amazônia brasileira que margearão as estradas. Em Rondônia, a degradação não deixa dúvidas do impacto da ação do homem sobre a floresta. No Acre também não, apesar de a floresta nunca se perder de vista nos fundos de fazendas de gado.

Já os Andes… Ah, os Andes… Atravessando as regiões da histórica Cusco e de Abancay, a cordilheira impressiona pela grandiosidade, pelas variadas formações geológicas e pelas cores que se descortinam. Entre precipícios e imensos paredões, é difícil apontar o lugar mais bonito. Uma boa prévia para a agitada Lima, com seus bairros históricos e outros mais modernos, com jardins floridos à beira-mar.

As paradas

Para não prolongar muito a viagem, as paradas não devem ser muito demoradas. Para comer, tomar banho ou só esticar as pernas, haverá metrópoles e grandes cidades no trajeto, como a enorme São Paulo, Campo Grande, Cuiabá ou Cusco. A maior parte do tempo, no entanto, será por interiores e pequenas cidades — algumas pujantes, impulsionadas pela produção rural, outras bastante pobres, expondo algumas das veias abertas da América Latina.

Diante dessa realidade, em muitas áreas as únicas opções para um intervalo serão postos de combustível e pequenos restaurantes de beira de estrada. Nesses lugares, a infraestrutura dos banheiros pode não ser das mais almejadas. No entanto, não haverá muita alternativa.

À mesa, as perspectivas são melhores. A simplicidade dá o tom, com algumas iguarias no menu. Churrasco no Cerrado, peixes amazônicos em Rondônia ou o tradicional lomo saltado peruano certamente aparecerão no cardápio. E a chegada a Lima ainda reserva delícias de uma das mais celebradas gastronomias das Américas.

Obrigações e obstruções

Algumas paradas serão obrigatórias, outras poderão vir de surpresa. Um pit stop inevitável é na BR-364, perto da divisa entre Rondônia e Acre. É para atravessar o Rio Madeira de balsa. A construção de uma ponte no local é uma antiga promessa. A obra está em andamento e estava prevista para ficar pronta este mês. Mas o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) já avisou que a intervenção não será mais entregue este ano.

Já na fronteira entre Brasil e Peru, é preciso cumprir trâmites de migração na cidade acreana de Assis Brasil. Ao chegar ao outro lado, em Iñapari, é a oportunidade para comprar soles, a moeda peruana.

Os imprevistos que podem atrasar a viagem surgem, por exemplo, nos engarrafamentos de caminhões que escoam a produção agrícola de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso ou Rondônia. Na região de Madre de Dios, na selva peruana, não deve ser menosprezado o histórico de bloqueios de estradas por mineradores e agricultores.

Culturas diversas

Para espantar o cansaço que será um adversário na viagem, conversar com outros passageiros e com as pessoas que cruzarão o caminho pode ser um excelente combustível. A cultura sertaneja se apresentará na primeira metade do percurso. Rondônia pode reservar sotaques sulistas ou descendentes de povos indígenas. Os traços nativos da floresta também aparecerão no Peru, por exemplo, em Puerto Maldonado, região na qual provavelmente se ouvirá alguma cumbia selvática. Enquanto nos Andes o orgulho da herança Inca estará evidente, por exemplo, nas vestimentas dos habitantes de povoados das alturas.

As informações são do O Globo.