Mulher improvisa quarto e “mora” em um ponto de ônibus no Rio de Janeiro

Mulher improvisa quarto e “mora” em um ponto de ônibus no Rio de Janeiro

13/11/2019 0 Por Notícias Portal InterBuss

Uma cama de solteiro, coberta por uma colcha estampada, com dois travesseiros para garantir mais conforto. Uma cômoda de oito gavetas, enfeitada por um vaso de flores. Ao lado, uma poltrona vermelha, com uma almofada florida. Em uma parede próxima, um quadro em tom amarelo. O que parece ser a descrição de um quarto é, na verdade, um ponto de ônibus na Praça Nossa Senhora do Amparo, em Cascadura, na Zona Norte do Rio. Há cerca de um mês, uma moradora de rua transformou o abrigo em sua casa.

A decoração foi concluída do dia para a noite. Assim que a moradora viu os móveis numa calçada próxima, correu para recolher todos e montar seu cômodo. A política de boa vizinhança, no entanto, foi ignorada. A moradora mal fala com os motoristas de ônibus e fiscais que ficam a poucos metros dela, ou com as pessoas em situação de rua que ficam na praça em frente.

— Ela passa a maior parte do tempo dormindo, sem falar muita coisa com os outros moradores — conta um dos motoristas da linha 712 (Cascadura-Irajá), que tem ponto final no terminal rodoviário da praça.

Além de reservada, a moradora de rua, dizem os vizinhos, é agressiva em alguns momentos.

— Nós evitamos nos aproximar, às vezes ela aparece muito agitada, não sabemos qual reação pode ter. Mas, se você reparar, todas as flores estão em garrafas com água, super bem cuidadas. É uma pena. Poderia ser uma jovem com um futuro melhor, mas não sabemos o que cada um passou até chegar aqui, até viver nessa situação precária e desumana — diz uma moradora da região, sem se identificar.

Nesta terça-feira, a mulher que vive no ponto de ônibus não quis falar com a equipe do GLOBO e deixou o local tão logo percebeu a presença dos repórteres. Perto dela, na praça próxima, vivem outros moradores de rua, que dormem em colchões no chão ou em bancos de cimento. Na manhã desta terça, por volta das 10h30m, um grupo ainda dormia deitado sobre colchas e estrados de madeira, ao lado de um carrinho de bebê e brinquedos espalhados pelo chão.

Situação de risco à noite

Segundo moradores que passam pela praça, a situação à noite é ainda pior, quando cerca de 20 pessoas usam o espaço para dormir.

— Essa situação precisa ser resolvida. Nós nos sentimentos acuados — afirma um homem passa por ali para chegar ao trabalho. — Ando por aqui por falta de opção. Se pudesse, não passaria. Tenho medo.

Um motorista de ônibus contou que muitos passageiros têm evitado embarcar no no ponto final, com medo de assaltos ou de ataques.

Procurada, a prefeitura admitiu que já estava ciente do caso e que uma equipe de abordagem da Secretaria municipal de Assistência Social e Direitos Humanos irá oferecer acolhimento para a moradora de rua, que pode ou não aceitar. Já a Secretaria municipal de Ordem Pública não respondeu se fará uma ação de fiscalização no local.

As informações são do jornal O Globo.