• 29/10/2020

Transporte que mais cresce na capital da Angola é o mototáxi

 Transporte que mais cresce na capital da Angola é o mototáxi

Os motores das motorizadas roncam em quase todos os cantos de Luanda e outras cidades de Angola. Nas zonas urbanas ou no chamado Musseque, que reúne as zonas periféricas, todos têm um único objetivo: Garantir o pão para os filhos e o dinheiro para cobrir outras despesas.

Sem capacete de proteção, Ricardo Garcia, jovem oriundo da província de Benguela, diz que, às vezes, a procura do sustento para a família fala mais alto. Sentado na sua motorizada de cor azul, no município de Viana, Ricardo diz que o serviço de mototáxi é a única saída encontrada para não continuar no mundo do desemprego.

“Nós estamos a trabalhar, porque estamos todos à procura de pão. Estes são meses festivos. Nós temos mulher, temos filhos e pagamos renda. O Governo não está a dar emprego nem para os jovens, nem para as mulheres, nem para os velhos, nem ninguém. Nós todos sofremos”, afirma.

O serviço de mototáxi começa por volta das cinco da manhã e estende-se até aos primeiros minutos da noite. A atividade pode render de quatro a cinco mil kwanzas por dia (de sete a oito euros).

São poucos os mototaxistas titulares de motorizadas. A maioria tem um patrão. Por isso, dos valores produzidos durante o dia, três mil kwanzas (quase seis euros) são entregues ao patrão. Mas há quem prefira receber 15 mil euros (mais de 26 euros) por semana.

Mas há rendimentos nessa atividade? Neto Luciano, de 41 anos, que trabalha preferencialmente no centro da cidade, responde: “Tem rendido quando és o proprietário da sua motorizada. Agora, quando tens o patrão, é aquele corre-corre, tem que se esforçar mais para fechar a conta do patrão. E tu também tenta conseguir alguma coisa para a cozinha sem entrar de férias”, diz.

‘Gasosa’

Os mototaxistas frequentemente se queixam da atuação policial. Dizem que são constantemente interpelados e multados mesmo quando apresentam os documentos que legalizam a sua atividade. Mas admitem, por outro lado, que nem sempre estão com os documentos exigidos para este exercício. E quando isso acontece, o suborno, a vulga “gasosa”, traz o entendimento entre as partes, revela Neto Luciano.

“A polícia é uma dor de cabeça. Nunca deixou de ser uma dor de cabeça para o motoqueiro. Geralmente, quando não tens documento, a polícia está mesmo em cima de ti. (Paga-se) uma ‘gasosa’ que nunca faltou. A ‘gasosa’ não tem preço”, sublinha.

A polícia não comenta o assunto. No entanto, os “kupapatas”, como são chamados os mototaxistas, gostariam que as autoridades resolvessem a questão das paragens de mototáxi em Luanda. “Nós não temos paragens certas, mas eles não querem nos organizar”, diz Eliseu Domingos.

Para garantir um rendimento maior, muitos mototaxistas optam pelo excesso de velocidade o que, às vezes, resulta em acidentes viários. “Ontem (sexta-feira, 01.11), por volta das 15h ou 16h, houve um acidente e um nosso colega partiu os membros e outra mulher (passageira) sofreu também danos”, conta Ricardo Garcia.

Riscos

Quando a noite chega, os mototaxistas evitam circular nas ruas de Luanda, como explica Neto Luciano: “É perigoso trabalhar à noite, quer no Musseque, quer na cidade”.

“Um colega meu da mesma frota lhe foi recebido a motorizada. Apareceu um passageiro a fazer o sinal. Afinal, por detrás dos blocos, tinha um outro homem armado. Assim que ele pára, o homem sai com a pistola, manda o homem descer e levaram a motorizada”, afirma.

A rota varia entre 150 e 500 kwanzas (de 30 a 90 cêntimos de euro). Os táxis, vulgos “kandongueiros”, também cobram 150 kwanzas contra os 30 kwanzas do valor da passagem do comboio, que faz uma uma única rota, de Viana ao Bungo.

Três operadoras, nomeadamente TCUL, TURA e SGO, garantem o serviço de transporte público numa capital com mais de seis milhões de habitantes. As motorizadas que se espalham nos quatro cantos vêm cobrir a exiguidade no setor dos transportes públicos em Angola.

As informações são da Deutsche Welle.

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